Com 3 anos, sem saber que a tempestade já se anunciava.
A vida ia mostrar que somente os mais fortes sobrevivem.
E eu ia mostrar pra vida que a força é só uma ideia, sobrevive quem não tem medo.
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
O plano B
Um dos amigos, ao qual eu tinha mais consideração, era o Zilmo.
Já da Casa da Infância nos dávamos bem e, no Educa nos separamos, ele foi morar no 13 e, quem é do meu tempo vai lembrar dele, pois o nome é bastante incomum, se não lembrar por isso, vão lembrar que ele tinha, vez em quando, ataques epiléticos.
Duravam, esses ataques, coisa de uns poucos minutos e, me lembro que, quando eles acabavam, o amigo se sentia humilhado, além da falta total de controle da situação, chamava a atenção de todos e com isso, sempre vinha o coitadismo por parte de quem não o conhecia.
Fora esse detalhe, o Zilmo era igual a todos os índio do Educa, fazia as mesmas coisas e defendia o gol do pavilhão 13.
Sempre ficávamos conversando de frente do teatro, quando não estávamos perseguindo o lagarto do bambuzal, ou perto do lago da piscina e, como ele era besta feito eu, tínhamos assuntos de sobra e nos chamávamos de "A dupla café com leite".
Fora dos limites territoriais que pertenciam aos pavilhões, sobrava uma grande faixa de terra ao Educandário Dom Duarte, essa área tinha que ser zelada, quer dizer carpida e limpa.
O grupo encarregado dessa limpeza era chamado de "Força Tarefa", nessa empreitada eram chamados os internos, de todos os pavilhões e o comando ficava à cargo do irmão Wilson, que, além de ser o enfermeiro do colégio, era o chefe da banda.
O verdadeiro exército de meninos com enxadas às costas parou em frente ao cenáculo, eram 7 horas da manhã, uma névoa de madrugada ainda podia ser vista na difusão dos raios matinais, no meio de todos os meninos estávamos eu e o Zilmo.
Descemos em fila até o sopé do barranco e marcamos nosso eito, um ao lado do outro, à medida que as enxadas batiam no chão, uma fina poeira subia do capim gordura e impregnava o ar.
O sol já se punha alto, o calor aumentava e o metal da enxada batia num compasso fúnebre, uma batida no chão, uma arrasta na terra e uma fração de silencio e recomeçava tudo de novo.
O suor escorria da minha testa, olhei pro Zilmo e, branco que ele era, estava vermelho e ria.
_Tá rindo do que, moleque?
_É hora do plano B.
_Tá falando do que?
Não disse mais nada, tirou o Kichute dos pés e os pôs de lado, juntou um monte de mato carpido, como quem prepara uma cama.
Puxou a respiração e deu um grito sinistro e caiu ao chão, se contorcendo como se estivesse tendo um ataque, a maioria dos meninos não sabiam como lidar com aquilo, só eu fui socorrê-lo.
Em coisa de poucos segundos, o bola já havia se formado em nossa volta e o irmão Wilson se lamentava por não ter trazido a caixinha de primeiros socorros.
Depois que o Zilmo voltou a conciência, me foi dada a ordem para levá-lo de volta ao seu pavilhão, quando dobramos a estrada do 14 nos ajeitamos e rimos à valer, passamos o resto do dia empinando pipa no barranco do 17.
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
A maior de todas as aventuras.
Em 1977,
as rádios AM nos brindavam com um som de Belchior, a poesia do poeta cearense
dizia:"Eu quero uma balada nova, falando de brotos e coisas assim" e,
se me perguntarem qual a relação dessa canção com o texto que virá a seguir, eu
digo nada, foi só para colocar o ídolo numa história.
E, depois
dessa grosseria com o leitor, vou ao ponto em questão.
Em
outubro desse mesmo ano, vivi a maior aventura que um guri de 11 anos pode
viver, fui ao Morumbi assistir à final do campeonato paulista e, essa epopeia, contarei
numa página específica, já que aqui, nem todos compartilham da minha paixão
pelo time de Parque São Jorge.
Dessa
aventura, só vou contar aqui, a parte dos amigos do Educa e, nem todos eles
eram corintianos e, assim mesmo, contribuíram com a sua amizade, no final a
surpresa.
No
pavilhão 14, onde os torcedores do Santos e do São Paulo superavam os
torcedores do Timão, o Salvador havia composto uma paródia do hino e, a letra
ficava assim:
"Pobre
Corinthians"...e terminava: "Andas matando a fiel do coração",
santista que era, cantava com gosto, principalmente na presença dos únicos 5
torcedores alvi - negros do pavilhão.
O Macalé
era motorista de um caminhão que transportava a produção de tijolos da olaria,
faltando dois dias para a final do campeonato, comprou 4 ingressos na Federação
Paulista, um para ele, um para o seu Luís, um para o Turquinho e o quarto seria
para o barbeiro Castro...o Castro deu para trás e não pagou, o Turquinho pagou
e ficou com dois ingressos.
No
intervalo do expediente da olaria, me chamou o seu Luís e me disse:
_. Vai lá
e dê sorte para o nosso time.
E, nem
lhe passou pela cabeça, o fato de eu ter só 11 anos e ser interno.
Diante da
atitude do seu Luís, o Turquinho, que era mais velho e estava também na fila há
23 anos, se deu por vencido.
_.
Arranja mais dois amigos para dar sorte para o Corinthians.
Do nada,
eu estava com 3 ingressos para final no Morumbi e eles me disseram que o Macalé
ia passar na portaria às 18 horas, olhei em volta e só achei o Zé Brígido mas,
ele já tinha o ingresso dele.
Era
véspera de jogo e eu tinha que escolher duas companhias e bolar um plano
infalível, essa seria a aventura do século.
Com os
meus amigos de sempre eu não podia contar, o Viana e o Feliz eram são-paulinos
e eu só podia contar com os irmãos Martins.
Edson e
Edilson eram os irmãos Martins, o Edson era preto e grande, o Edilson (Chumbinho)
era branco e baixinho e, independentemente da cor de cada um, as caras dos dois
eram iguais, feito espelho e, ambos eram corintianos fanáticos.
Assim que
pegaram seus ingressos, eles, que tinham familiares na favela da Vila Prudente,
começaram a bolar um plano de fuga, eu fui enfático quando coloquei a questão:
_.
Ninguém vai fugir, eu não tenho família, nós vamos assistir ao jogo e voltar,
se tiver que tomar surra, apanha-se em 3.
E, ainda
que eles fossem mais velhos que eu, acharam que a surra dividida seria
divertida.
O plano
não carecia de grande genialidade para ser executado, levou-se uns bons dez
minutos para acertarmos tudo.
Como os
irmão Martins eram do primário e não estariam em aula, iriam me esperar do lado
de fora do Grupo Escolar...molezinha e tal.
Diz-se
que, quando o diabo não comparece em pessoa, manda sempre o secretário, pois
bem...lá para as 5 e 30 bateu a paranoia no diretor Sérgio e ele ficou maluco,
mandou trancar as portas de saída da escola, palmeirense que era, gritou no
corredor que nenhum corintiano ia sair da escola...pronto, deu água no meu
bote.
Da sala,
eu podia ver os parceiros lá fora a me esperar, os minutos passavam e o
desespero aumentava, por mais que eu pensasse, não vinha a solução.
Um outro
palmeirense ficou doido de repente, o Cézinha do 24, aproveitando a ausência do
professor na sala, correu para a porta e a fechou, ficou segurando a maçaneta e
gritou para que eu pulasse pela janela e, eu o fiz, cai do lado de fora da
escola, onde os amigos me esperavam, passamos correndo na administração, deu para
ouvir o Augustão gritando-nos e não paramos, descemos pela casinha de força e
ganhamos a rua.
O
caminhão do Macalé ia passar na portaria e não deu para evitar que o seu Felipe
nos visse, nos perguntou o careca:
_. Vocês
estão fugindo??
_. É, mas
nós vamos voltar. Disse eu.
Admirado
com a nossa coragem, o porteiro que era tricolor disse:
_. Nesse
caso, excepcionalmente hoje, eu vou torcer para o Corinthians.
O Macalé
chegou na hora marcada e começou a grande aventura invadimos o campo ao final
do jogo, fiquei com as chuteiras do Vaguinho, no dia seguinte dei-as para o seu
Luís.
Quando
descemos do caminhão, em frente à portaria, já eram duas e meia da matina, pulamos
o portão e fomos à residência dos irmãos.
O irmão
Simão se espantou ao nos ver e quis saber do que se tratava tão tarde.
Enquanto
ele esfregava os olhos vermelhos, contei tudo com riqueza de detalhes, aos
poucos ele foi acordando do susto.
_Espera
aí, vocês fugiram para ir ao estádio e voltaram?
Sem
acreditar naquela sandice, pediu que subíssemos para o corredor da entrada do
prédio e nos contou de uma história que ele vivera em Munique, havia assistido
o Bayer com o pai e ele tinha uns 9 anos.
No meio
da narrativa o Edson perguntou:
_. Vai
bater agora, ou depois???
Se ele
não fizesse a pergunta eu mesmo a faria, o chato da surra é a expectativa.
O irmão
Simão pediu que nós o aguardássemos um pouco e entrou, ficamos a esperar surra,
cinco minutos depois ele saiu com um bilhete e nos deu:
_. Digam para
todos que vocês tomaram a maior das surras do mundo e estão muito arrependidos
de ter fugido do colégio, sorriu e fechou a porta.
Chegamos
no 14 dizendo que foi uma surra de tirar bicho, os outros meninos ficaram com
pena, o Odilon achou que não precisava mais nos repreender e nem castigo
deu-nos.
Pela
manhã, os ´pés de jabuticabas da estrada do 11, estavam carregados, o
atleticano seu Edmo me saudou cantando o hino do meu time.
sexta-feira, 29 de julho de 2016
O gêmeo do mal
Em dias de verão, pelas tardinhas, o sol pintava com um amarelo vivo, o céu, por cima da mata da olaria
Assim, os nossos dias eram coloridos e, não importava a condição de órfão, eu nunca estive sozinho na vida, tinha os amigos e alguns eram como irmãos, tinha meus autores e minhas canções, por vezes se misturavam o Guimarães Rosa e o Bituca e o meu viver a infância ia mesmo tomando jeito de literatura, literatura cantada.
Ainda guardava, da infância, o Belchior e o Casimiro de Abreu, esses nunca saíram da parede da memória, ao passo que eu crescia, outros gênios se juntaram à galeria, nomes novos para compor a sinfonia da minha vida, feito Beto Guedes e Érico Veríssimo.
No entanto, minha cultura não me fazia retraído ou tímido...jogava futebol, rodava pião, roubava frutas no pomar, pulava sela e enrustia bananas...feito todo índio do Educa.
Quando chegou a adolescência, um mundo novo sê-nos mostrou e, nos arrastou em seu redemoinho.
Esse mundo novo, se mostrava muito mais drástico e complexo, exigia respostas rápidas e atitudes firmes, num sentido mais amplo, a mesma cena que trazia o doce colo de uma mulher, podia ser precedida pela trajetória de um tiro em sua direção.
E nessa nova cena, o prazer do sexo vinha acompanhado do perigo eminente e, eles são parceiros antigos.
Primeiro, para acabar de vez com essa coisa de achar que um raio nunca cai duas vezes na mesma arvore, vou contar da Casa da Infância, por lá eu já havia me deparado com um sósia, o seu nome era Delevado... pessoas com o mesmo corpo, rosto. Tudo idêntico a você, são até comuns de acontecer, no entanto, a probabilidade dessas pessoas se encontrarem é muito remota, de estarem no mesmo país, na mesma cidade, no mesmo bairro...na mesma casa então...
Ainda que o Delevado fosse uns dois anos mais velho, nos divertíamos com isso, por vezes, ele ficava de castigo por mim e vice-versa, todos achavam que se tratava de gêmeos, o raio havia atingido a minha arvore uma primeira vez.
Quando passamos a curtir os bailes, eu já havia completado os quatorze verões e tinha uma dívida com o sexo oposto, por esse tempo eu devorava tudo o que se seguia em minha reta, não precisava ser bonita, se tivesse um corpo mais ou menos...o jacaré virava bolsa, paguei com juros e correções monetárias.
A Beth já havia comemorado seus vinte e quatro anos, quando me viu num baile na Santa Bárbara, entre os "Neguinhos do Educa', disse que foi tomada de um inexplicável amor à primeira vista, me soou meio brega isso, mas relevei, uma pessoa com mais dez anos da minha idade, era bem provável que soubesse muito da matéria que me interessava nessa época, o sexo.
Ficamos e saímos pelas madrugadas e com o tempo fui descobrindo fatos de sua vida, que já era mãe e já havia tido uma união estável, a separação se deu por conta de seu cônjuge ter se tornado traficante, aliás, no começo dos anos 80, essas pessoas eram chamadas de contrabandistas.
Ah, o dito cujo fazia parte da gangue do Pivete, aquela turma que apavorava toda a vizinhança por esse tempo.
Num baile na favela do Uirapuru, me foi apresentado o ex da moça, assim que lhe apertei a mão, tomei um susto, ele também se assustou e juntos, demos um passo para trás....O raio havia caído de novo.
Foi como se eu me visse no espelho, os meus amigos e os amigos dele esfregaram os olhos e a Beth ria.
Um silêncio se fez, ficamos a nos olhar, pasmos e aturdidos...absolutamente tudo igual, até a altura.
_Prazer, Adir.
_Prazer, Niltão.
_Que doideira.
_Cara, você é bonito.
Se eu não dissesse uma besteira dessas, acabaria perdendo a minha identidade, as mais de 50 pessoas que estavam a ver a cena, contorceram-se de rir.
Então, como nem tudo na vida são flores, passei a ficar com medo de passear pelo João XXIII, numa dessas vai que...
Porém o medo não era tanto que pudesse me esquecer da satisfação dos carinhos da Beth e, é claro, continuei saindo com ela. Conheci o pai dela, um trabalhador que saía de madrugada para trabalhar no Metrô, foi difícil colocar na cabeça dele que eu não era o Adir, aquele sujeito, que na cabeça dele, havia levado a sua filha para o mau caminho.
Era de praxe, terminada a noitada, levávamos as moças para casa delas, somente quando a última era entregue, seguíamos para o pavilhão, todo o bando junto.
De frente do Attiê, existia um bar, ao lado desse, uma rua principiava uma queda e se descia para uma várzea, essa rua seguia até um escadão murado, que dava na rua Santa Bárbara, a Beth morava ali e era a última mina a ser entregue, o bando todo ficaria ao pé do escadão e eu levaria a moça em casa, uns beijinhos, umas afofadas e ia embora, tranquilo e calmo.
Depois dos beijos e carinhos, desci o escadão, os amigos estavam em frente ao posto de madeira, ouvi gritos nas minhas costas e me virei.
Era o pai da moça, eram umas 6 horas e o sol ainda não havia se apresentado, por conta disso, demorei a perceber o que ele trazia na mão direita, os amigos sumiram numa corrida e adivinhando o que ele carregava, apressei o passo.
Ele estava caindo de bêbado e gritava palavras desconexas, só se entendia que ele falava o nome do Adir.
Eu já corria, quando enfim entendi o que ele falava:
_Adir, seu filho da puta...vou beber o teu sangue.
Naquele corredor fechado o barulho do tiro foi ensurdecedor, quando dobrei a esquina, o tiro estraçalhou no poste de madeira, menos de um dedo do meu nariz, ganhei a rua e encontrei os amigos no Atite, mais dois tiros foram deflagrados e ele ainda gritava.
Na volta para o Educa, jurei que nunca mais ia para nenhum baile, aquilo era muito perigoso...no sábado seguinte, o Paulo fazia o melhor de todos os bailes da região, na hora da lenta beijei a boca da menina que eu nem conhecia e agradeci a Deus pela linda juventude.
segunda-feira, 25 de julho de 2016
1¤ Dia de aula no EDD por Juliana Rodrigues
Em meados de 89 fui estudar no Educandário Dom Duarte, escola nova, pessoas novas, amizades novas e como já estava acostumada a essa rotina anual, pois a cada ano mudavamos de casa , bairro e escola, o jeito era se adaptar como sempre fazíamos.
Lembro que no primeiro dia de aula estava temerosa, pois seria a primeira vez que nao iria estudar na mesma sala que a minha irmã, porque o Educandário tinha uma política: " irmãos não podiam estudar na mesma sala". Ao chegarmos lá, tivemos o conhecimento que alunos de fora estudavam junto com os internos.
Ao dar o sinal para entrar na sala de aula, me despedi da minha irmã e me dirigir a minha respectiva sala, e ao chegar na porta da sala me vi em uma sala com aproximadamente 30 alunos!!! Até aí tudo bem, porém desses 35 alunos, TODOS eram meninos!!!! Isso mesmo!! Eu , uma unica menina, fui parar em uma sala de aula só de meninos!!!
Ao entrar na sala meio desconfiada, os meninos gentilmente me concederam uma carteira bem no centro da sala. Quando eu sentei, todos eles gritaram:
--- COMIDAAAAA!!!!!!
Entrei em pânico!!! Segurei o choro!!!
A professora Heloísa de Português, que tinha acabado de entrar para dar a aula, viu meu desespero, pegou na minha mão e me levou para a diretoria onde ela teve que brigar para mudar de sala, pois a diretora (que não lembro o nome) encontrava-se irredutível, afinal eu nao poderia estudar junto com a minha irmã!
--- Não tem cabimento dessa menina estudar naquela sala! Onde já se viu? 40 meninos e só ela de menina?? Não pode!! - disse a professora em minha defesa.
O bate boca acabou em meu favor, fui transferida para outra sala, e escapei do meu sufoco!!!
Kkkkkkkk...agora dou risada, mas esse dia ficou marcado em minhas memórias, junto com outras que vivi no inesquecível Educandário.
Lembro que no primeiro dia de aula estava temerosa, pois seria a primeira vez que nao iria estudar na mesma sala que a minha irmã, porque o Educandário tinha uma política: " irmãos não podiam estudar na mesma sala". Ao chegarmos lá, tivemos o conhecimento que alunos de fora estudavam junto com os internos.
Ao dar o sinal para entrar na sala de aula, me despedi da minha irmã e me dirigir a minha respectiva sala, e ao chegar na porta da sala me vi em uma sala com aproximadamente 30 alunos!!! Até aí tudo bem, porém desses 35 alunos, TODOS eram meninos!!!! Isso mesmo!! Eu , uma unica menina, fui parar em uma sala de aula só de meninos!!!
Ao entrar na sala meio desconfiada, os meninos gentilmente me concederam uma carteira bem no centro da sala. Quando eu sentei, todos eles gritaram:
--- COMIDAAAAA!!!!!!
Entrei em pânico!!! Segurei o choro!!!
A professora Heloísa de Português, que tinha acabado de entrar para dar a aula, viu meu desespero, pegou na minha mão e me levou para a diretoria onde ela teve que brigar para mudar de sala, pois a diretora (que não lembro o nome) encontrava-se irredutível, afinal eu nao poderia estudar junto com a minha irmã!
--- Não tem cabimento dessa menina estudar naquela sala! Onde já se viu? 40 meninos e só ela de menina?? Não pode!! - disse a professora em minha defesa.
O bate boca acabou em meu favor, fui transferida para outra sala, e escapei do meu sufoco!!!
Kkkkkkkk...agora dou risada, mas esse dia ficou marcado em minhas memórias, junto com outras que vivi no inesquecível Educandário.
Os internos debilóides por Angela Sales Camargo Victorino
O ano era 1978, eu e minha família havíamos nos mudado para o Educandário no ano anterior, o qual eu ficara sem poder estudar, pois já não havia como ingressar na escola pelo fato de já estar no meio do ano letivo. Somente no ano seguinte é que minha mãe conseguiu me matricular na EEPG Luiz Elias Attiê.
Eu não sabia que a escola era composta em sua grande maioria por internos do Educandário Dom Duarte Duarte, mas minha mãe achou que seria bom para mim, por ser mais próxima de minha casa.
Eu era muito tímida e qualquer coisa me constrangia, então não sabia o que me esperava no primeiro dia de aula, tinha muita dificuldade em me relacionar com outras pessoas e muito medo do desconhecido.
No primeiro dia de aula, eu fui alertada quanto aos meninos do EDD, mas que se eu tivesse algum problema que fosse falar com a Coordenadora, qual foi a minha surpresa no meu primeiro dia de aula?
Conheci os dois internos mais doidos que poderia ver nos meus 11 anos de idade. Eram eles debochados e totalmente sem respeito às pessoas que estavam ao seu redor.
Assim que eles entraram na sala de aula, começou o alvoroço, era carteiras sendo jogada contra a parede, bolinha de papel assoprada no tubo da caneta esferográfica grudado nos meus cabelos e muitos palavrões que eu nunca tinha ouvido em minha pouca existência de vida.
Isso tudo no meu primeiro dia de aula, não bastasse o bulyng sofrido por ser uma das poucas meninas em sala, ainda tive que assistir o mais doido dos internos chamar a professora de negra e outros nomes horríveis de ser ouvido e pronunciado por um garoto.
Pensem no meu desespero, queria sair correndo da escola, mas tive que ficar até o final da aula sem saber como seria o dia seguinte. Consegui ficar no Attiê exatos quatro dias insuportáveis.
Quando cheguei em casa disse para minha mãe que naquela escola eu não estudava mais e expliquei o que acontecia na sala de aula por causa desses dois internos.
Minha mãe chegou a ir ao Attiê conversar com a Diretora, mas ela recomendou a minha mãe que me transferisse de escola porque eu não tinha o perfil para aguentar os internos do EDD.
Foi exatamente o que ela fez me mudou para a Guiomar Rocha Rinaldi, aí sim eu consegui continuar os meus estudos, sem a pressão psicológica dos demônios do Educandário Dom Duarte, por assim se comportarem esses dois malucos.
Fiquei surpresa anos depois, em 1980 ao saber que os dois malucos eram amigos do meu namorado Nilton.
Quando eu e o Nilton Já estávamos namorando, os dois malucos em questão foram me apresentados formalmente por ele como Mattioli do 20 e Djalma do 15, eles nem se lembravam de que eu havia passado pelo terror de estudarmos na mesma sala de aula.
Hoje relembrando o fato eu sinto saudades desses déb. e lóid, pois acabamos por nos tornamos amigos e o passar dos anos e a vinda nossa para a Bahia fez com que perdêssemos o contato, principalmente do Edilson Mattioli, há 13 anos não consigo reencontrar esse grande amigo a quem meus filhos chamam de tio, e se por um acaso alguém souber notícias, por favor, digam a ele que nós o amamos muito.
Eu não sabia que a escola era composta em sua grande maioria por internos do Educandário Dom Duarte Duarte, mas minha mãe achou que seria bom para mim, por ser mais próxima de minha casa.
Eu era muito tímida e qualquer coisa me constrangia, então não sabia o que me esperava no primeiro dia de aula, tinha muita dificuldade em me relacionar com outras pessoas e muito medo do desconhecido.
No primeiro dia de aula, eu fui alertada quanto aos meninos do EDD, mas que se eu tivesse algum problema que fosse falar com a Coordenadora, qual foi a minha surpresa no meu primeiro dia de aula?
Conheci os dois internos mais doidos que poderia ver nos meus 11 anos de idade. Eram eles debochados e totalmente sem respeito às pessoas que estavam ao seu redor.
Assim que eles entraram na sala de aula, começou o alvoroço, era carteiras sendo jogada contra a parede, bolinha de papel assoprada no tubo da caneta esferográfica grudado nos meus cabelos e muitos palavrões que eu nunca tinha ouvido em minha pouca existência de vida.
Isso tudo no meu primeiro dia de aula, não bastasse o bulyng sofrido por ser uma das poucas meninas em sala, ainda tive que assistir o mais doido dos internos chamar a professora de negra e outros nomes horríveis de ser ouvido e pronunciado por um garoto.
Pensem no meu desespero, queria sair correndo da escola, mas tive que ficar até o final da aula sem saber como seria o dia seguinte. Consegui ficar no Attiê exatos quatro dias insuportáveis.
Quando cheguei em casa disse para minha mãe que naquela escola eu não estudava mais e expliquei o que acontecia na sala de aula por causa desses dois internos.
Minha mãe chegou a ir ao Attiê conversar com a Diretora, mas ela recomendou a minha mãe que me transferisse de escola porque eu não tinha o perfil para aguentar os internos do EDD.
Foi exatamente o que ela fez me mudou para a Guiomar Rocha Rinaldi, aí sim eu consegui continuar os meus estudos, sem a pressão psicológica dos demônios do Educandário Dom Duarte, por assim se comportarem esses dois malucos.
Fiquei surpresa anos depois, em 1980 ao saber que os dois malucos eram amigos do meu namorado Nilton.
Quando eu e o Nilton Já estávamos namorando, os dois malucos em questão foram me apresentados formalmente por ele como Mattioli do 20 e Djalma do 15, eles nem se lembravam de que eu havia passado pelo terror de estudarmos na mesma sala de aula.
Hoje relembrando o fato eu sinto saudades desses déb. e lóid, pois acabamos por nos tornamos amigos e o passar dos anos e a vinda nossa para a Bahia fez com que perdêssemos o contato, principalmente do Edilson Mattioli, há 13 anos não consigo reencontrar esse grande amigo a quem meus filhos chamam de tio, e se por um acaso alguém souber notícias, por favor, digam a ele que nós o amamos muito.
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