domingo, 1 de dezembro de 2013
Como nasce uma lenda (A LOURA DO BANHEIRO)

Fui pesquisar sobre a loira do banheiro, encontrei cada palhaçada, de diversos cantos do Brasil, apareceram até, relatos da Argentina e do Chile...tudo balela, como diria mano Brown:_Forrest Gamp é mato, vou contar a verdade, então.
Como eu disse em outra postagem, a Casa da Infância do Menino Jesus, era o outro colégio que a Liga das Senhoras Católicas administrava, era um orfanato, onde as crianças eram educadas até atingirem a quarta série do primário, então alguns retornavam às suas família e os que não tinham família, eram transferidos para o EDD.
Esse orfanato era gerenciado por freiras, que administrava a educação dessas crianças, com o apoio de monitoras(moças) que cuidavam, de fato dos meninos.
Dentre as moças, havia uma, que se chamava Ivone, que era prima da madre Márcia, por serem originárias do Rio Grande do Sul, tinham os olhos, dum azul muito forte, era muito difícil alguém ficar de frente pra moça e não ser hipnotizado por seus lindos olhos.Ela trabalhava em São Paulo e, de 2 em 2 meses, ia visitar sua família, no interior do Rio Grande, lá, ela tinha um noivo.Em 1976,nas férias de meio de ano, tom
ado de um ciúme doentio, o noivo a matou e arrancou-lhe os olhos.
Na época, a revista O Cruzeiro, publicou a foto do velório sem retoque, com flores e algodão nos olhos, repercutiu no Brasil todo, o cronista, avido de sensacionalismo a comparou a uma espécie de santa, já que ela trabalhava num orfanato e era prima de uma freira.
O fato de estarmos acostumados a vê-la, na hora do recreio, em frente ao banheiro do páteo, para que não fizéssemos bagunça, alguns meninos começaram a dizer que, haviam visto ela, de frente da porta do banheiro, já dava medo, ir ao banheiro sem a companhia de um adulto.
No ano seguinte, fomos transferido pro EDD, no primeiro mês de aula, na hora do recreio o Alaor(19), sai correndo pro páteo, com as calças ainda arriadas, gritando que tinha visto a loura do algodão.Foi muito pouco tempo, pra ela aparecer em todos os banheiros, de todas as escolas do Brasil.
Seu Edmo
Era o larista do pavilhão 11, como seus irmãos também o eram, o Flavio e o Fausto.
Diferente dos irmãos, que tinham fama "de carrascos", ele era gente boa, baixinho e com uma barba desproporcional (que ele sabia que chamava a atenção) e, se alguém perguntava sobre o tamanho da barba, como quem não perde a chance de uma boa piada, ele respondia que era pra compensar a pequena estatura.
Muitas vezes, ele se fazia de técnico do Grêmio Educandário, não que o time realmente precisasse, mas ele fazia o jogo ficar mais alegre. Gostava de uma boa piada e de contar mentiras, a segunda ele era imbatível.
Uma de suas 4 filhas, a Edna, estudava comigo, um dia ele apareceu na escola, pra constranger a filha, contou-nos uma historia de quando ela era um bebê:
O pai e o bebê estavam num bote, num lago, cheio de cobras, uma das cobras entrou no bote, como ele estava pescando, não deu conta disso e a cobra ficou ali. Por estar fazendo frio, ele a agasalhou, viu que um pé da bota estava ao lado da criança, resolveu calça-la, enfiou a mão no fundo do bote e calçou o outro pé, e esse estava mais apertado, só então ele percebeu que havia aberto a boca da cobra e enfiado o pé na boca dela.
E você acha que isso serviu, pra gente zoar a Edna ??? nada, como aquela personagem do Chico Anísio, ela confirmou tudo e, diante da nossa cara de incrédulos, ela foi quem zoou conosco.
Ele tinha milhares dessas pérolas, mas, a que o tornou imortal foi a de quando, ele matou um boi... com uma canecada.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Já que eu estava falando dos amigos...
Como eu disse, tinha vários amigos e pra qualquer ocasião, de todas as turmas e todos os gostos.Nos primeiros anos, eu era sempre o mais novo da turma, em termos de vivência, eu me desenvolvi mais cedo, os meninos da minha idade deixavam a desejar, então eu andava com o pessoal mais velho.
Com 15 anos, descobri dois amigos que eram a minha cara, ou seja, liam gibis do Homem Aranha e eram doidos por jornadas nas estrelas...esses eram, o Miguel(13) e o Satírio(24).Pra falar a verdade, a gente já se conhecia, quem nos juntou foi a Dona Neri, a assistente social num concurso promovido pelo Banco do Brasil, que visava promover a literatura entre as escola de primeiro grau de São Paulo e, fomos os 3 pra representar o EDD, o Miguel respondeu sobre o modernismo, o Satírio defendeu Graciliano Ramos e, pelo fato de ela não conseguir um quarto integrante, eu fui de Jorge Amado e Josué Montello.
Para o espanto da diretoria, entre mais de 100 escolas, nós 3 levamos as 4 medalhas, nosso premio foi uma viajem pro Rio de Janeiro e conhecemos o imortal Carlos Drummond de Andrade.Depois disso, só nos separamos, quando saímos do colégio.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Seu Alones(continuação)
Durante a minha estada na instituição, conheci amigos que tinham uma conduta louvável, teve até amigos meus, que seguiram, por merecimento a vida serena do sacerdócio, esses meninos relevariam o fato e aceitavam que lhe chamassem a atenção em quadra e certamente relavariam o acontecido.Eu não possuía esse perfil, não vou dizer que era o próprio demônio, longe disso, eu era do outro tipo de guri, daquele tipo que, vai à forra, anos mais tarde a Lourdes, coordenadora pedagógica da escola Luis Elias Attiê me chamou de dum-dum, fazendo alusão à munição, segundo ela, eu era, do mais dos inteligentes e dos piores em comportamento, ou seja, depois do impacto, havia a explosão.Cumprimentando o seu Alones, no dia seguinte, eu já estava maquinando minha vingança, ainda que não fizesse a menor ideia de como seria, eu ia me vingar, ah, isso ia.
Por um tempo a coisa esfriou, começou a temporada de olimpíadas estudantis e o capitão Pazelli me convocou pros 800 metros e, eu nunca fui um atleta muito bom, a rotina de exercício físico me exauria, na hora do racha eu não tinha pernas, só sentava no barranco e assistia a peleja.
Nessa época o amigo mais chegado era o Valdevino, esse, via a vida dum jeito diferente do meu, sabe aquele trecho dos Racionais?(tipo, linha de frente em qualquer lugar)isso mesmo, o tipo que não leva desaforo pra casa, adultos ou não, ele enfrentava.Saímos do treino, no campão e ficamos ali pra ver o racha, havia um fosso, ao lado do campão, na lateral esquerda, logo acima ficavam as quadras, num plano superior, o que separa as quadras do fosso era uma cerca viva, entre as pequenas arvores haviam dois espaços, se a bola descesse, ia-se nesse espaços e pulava-se, pra buscar a bola, na maioria das vezes, a bola batia na cerca e voltava pra quadra, do lado direito das quadras havia um barranco, que levava ao campo de cima, nesse barranco, ficava a torcida do futsal, ou quem esperava pra entrar no jogo.Ficamos ali, por faltar um jogador, olharam em nossa direção, falei que não queria, o Valdevino pediu pra entrar, entrou no time contra o seu Alones, começou o jogo, o time que o Valdevino entrou era melhor, portanto, já começou com vantagem no placar, todo mundo na quadra era adulto, menos o neguinho, e tem uma coisa que sempre se podia contar na personalidade do Valdevino, ele era muito abusado, diante da vantagem no placar, ele começou a fazer jogadas de efeitos, dessas que se faz pra humilhar o perdedor, tocava de calcanhar e passava o pé em cima da bola, é claro que foi repreendido pelo seu Alones, deu-lhe uma cotovelada no rosto, em sinal de aviso e, como se dizia na época:_O diabo atenta.O neguinho meteu-lhe a bola entre as pernas, todos riram, seu Alones ficou vermelho, eu não ri, já antevia o final da historia, mas o neguinho não ia me ouvir, fiquei quieto.
Nessa época, lateral era cobrado com a mão, o Amaral arremessou e o neguinho completou de cabeça, ia rindo, levar a bola pro reinício de jogo, no meio do caminho tomou uma cotovelada, advinha de quem?
Jogo reiniciado, agora ele fazia macaquices com a bola, não deu outra, foi atingido, de carrinho, na lateral da quadra, tumulto, ele quis revidar, foi contido, a turma do deixa disso apaziguou, sem condições físicas ele teve que sair, olharam pra mim, nesse altura eu já estava preparado pra me vingar e me ofereci, pra substituir o amigo.Faz parte do jogo, essa coisa da intimidação, não levei em consideração, o fato de ouvir que, se eu faltasse com o respeito teria o mesmo fim, na verdade, eu nem dei atenção, estava concentrado num plano e com o amigo assistindo, eu tinha o plano perfeito nas mãos.Como não prometi nada, minha primeira jogada foi de efeito, recebi a bola, ameacei bater com força, parei e toquei de calcanhar, olhei pro seu Alones e ele bufava de raiva, fui pra lateral e pedi a bola, estava na reta da falha da cerca viva, gritei para que ma dessem a bola, recebi-a, parei e passei o pé em cima dela, súbito, ouvi os passos que vinham em minha direção, deu pra ouvir-lhe a respiração pesada, no último segundo pulei pra traz.Ele vinha com tanta vontade de atingir-me em cheio, que esqueceu a lei de Newton e, por não ter um corpo para interrompeu o trajeto do dele, precipitou em direção da cerca, no espaço aberto, seu corpo continuou e só parou dentro do fosso, todos correram para ver, dentro da valeta ele se debatia, todo sujo e cuspindo um negocio verde, que parecia algas.
No dia seguinte cumprimentei-o, mas, nunca mais joguei naquela quadra.
A festa da Liga
Era um evento, que acontecia sempre na última semana de cada ano e servia pra unir, em comemoração os 2 colégios administrados pela Liga das Senhoras Católicas, faziam-se apresentações de coral, teatro e a fanfarra e encerrava-se sempre com o "bode". um saco tamanho família, que continha doces e brinquedos.Servia, tambêm como rito de passagem para os meninos da Casa de Infância do Menino Jesus, que passavam a conhecer de perto, onde iriam passar a viver.
Como eu, todos os meninos, que vinham da C.I.M.J tinham dificuldades em encarar a nova realidade, pois eles vinham de um colégio administrado por freiras, por consequência, acabavam sendo as vítimas prediletas no Bullings, onde impera a lei do mais forte, o que vacila é perdedor.O que explica o fato de esses meninos ficarem sempre juntos.
Sempre foi assim, mas na festa de 1976, a coisa piorou de vez, logo na minha vez.
Havia na Casa da Infância, um freira espanhola, de nome Lourdes que, empolgada com os musicais progressistas da Broadway, resolveu que naquele ano, os meninos iam apresentar uma peça, ao invés do habitual coral de sempre.
Ah, ainda me lembro dos ensaios, o negócio seria...tipo HAIR, tudo colorido, musicado e tudo mais.Se tem uma coisa que um guri não precisa, quando está pra entrar no inferno, é, por em dúvidas, a sua sexualidade, foi por conta disso, que eu disse, pra santa madre Lourdes que, por dinheiro nenhum no mundo, eu ia entrar num palco, vestido em meias calças.
Na sua inocência, a freira achou que nos ajudava, eu estava nas cadeiras, do teatro, quando meus amigos passaram, em direção ao palco, fiquei com tanta vergonha quanto eles, a peça foi uma vaia só, do início ao fim.
Em Fevereiro de 1977, o carro da C.I.M.J, deixou eu, o meu irmão Nilson Victorino, o Sebastião, o Helio, os irmãos Adalberto e Gilberto Camargo e o Luis Sergio, em frente ao pavilhão 14, enquanto estávamos na fila da rouparia, os meninos, já se perguntavam, quais de nós, haviam dançado na Festa da Liga.
domingo, 6 de outubro de 2013
Seu Alones
Quando guri, trabalhei na olaria, trabalho duro pra uma criança, mas dava um dinheirinho.Num belo dia apareceu por lá, a comissão de direitos humanos da OAB e ficou caracterizado como trabalho escravo, lacraram tudo.Fui trabalhar na administração trabalho de escritório, lá trabalhavam 3 ex-internos: O seu Reginaldo, o seu Alones e o seu Tinoco, eu fui designado pra ser o auxiliar do seu Tinoco que era o mais velho deles, um contador à moda antiga, (daqueles mesmo de livro-caixa, lápis preto e polainas), era mal humorado e ainda usava roupas do tempo do império.O fato de ele ser octogenário e ter a coluna um tanto arqueada , enganava os meninos desavisados, olhavam-no e achavam que poderiam tirar farinha, ledo engano, diante de meninos bagunceiros, ele se movia com extrema habilidade e a mão era pesada, vira e mexe, algum guri tomava um tapão na orelha.
Eu me dava muito bem com ele, ainda que muitas vezes, eu o fizesse chegar ao extremo de arfar de raiva, por ser contrário às suas opiniões, foi com ele que eu descobri o local exato, onde as tropas de Getúlio Vargas, que vieram do Paraná, passaram e surpreenderam o destacamento de Pinheiros, no inverno de 1931.
Mas, isso é outra historia, eu vou contar uma, sobre o seu Alones, que diferente do seu companheiro, era mais moderno, sabia usar uma máquina de escrever elétrica e sorria o tempo todo, apesar de ter uma cabeleira branca, era ligeiro e amistoso(tipo de gente que, hoje em dia é chamado de sangue bom)De fato, não havia quem não gostasse dele, até porque, toda tarde, depois do expediente, só havia um lugar pra encontrar o praça.Muito da energia e ligeireza do atlético senhor era devido à sua excepcional forma física, ele tinha, por habito, bater bola. Entre o campão e o campo de cima, havia uma faixa de terreno, de terra vermelha batida, onde todas as tardes, os funcionários jogavam futsal.
Todas as tardes, todos os dias, tinha jogo naquela quadra, geralmente, era entre os funcionário, as partidas, se faltasse alguém, completava-se com algum interno, mas ele nunca faltava, podia-se sempre contar que, às 16:00 horas você ia vê-lo sair da pensão, em direção da quadra, com seu indefectível calção branco com listras vermelhas nas laterais, todo santo dia, sem falta.
Ali, na quadra de terra,acontecia uma metamorfose...aquele cara boa praça, sempre que começava um "racha", ele virava um bicho.
Tem gente que é assim, entre no jogo e vira outro, deixa de uma pessoa de bons modos e quer ganhar à qualquer custo e, ele passa a ser uma pessoa odiosa, o seu Alones era assim, xingava, esbravejava e, batia até na própria mãe, se necessário, pra ganhar um jogo.Um dia, eu cai na besteira de aceitar o convite, entrei no jogo, na vaga que faltava, fiquei no time dele e, é claro, perdemos o jogo.O homem só faltou me fuzilar, me disse todos os palavrõ
es do mundo e ameaçou me capar e, por incrível que pareça, a falha, que resultou na derrota, foi ele, quem cometeu e...dizer o que ? eu era o único menor no jogo e o cara, ainda por cima, era meu chefe.A vontade de mandá-lo às favas vinha, mas, eu sabia que aquilo era momentâneo, ao passar 5 minutos, o sangue esfriava e ele voltava a ser o cara de sempre.
No dia seguinte me cumprimentou pela manhã, como se não tivesse acontecido nada.
CONTINUA.
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